Já fui borboleta, mas agora sou uma moça de cabelos compridos que se deixa voar com vento, o mesmo que faz girar as flores de papel colorido. (e não pretendo aterrissar) ~~<3
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lonelily às
10:59:39 PM lonelily às
5:39:25 PM lonelily às
6:18:07 PM lonelily às
11:44:56 PM gosto de regar minhas plantinhas e chegar bem perto, pra sentir o cheiro da terra molhada. gosto da maneira como Gabo aquece o meu coração com suas palavras bonitas. gosto de adormecer de madrugada, enquanto o filme ainda passa na tv. gosto de azedinho-doce em dias de sol quente. gosto de sorrir-sorrir aos montes, como fiz na noite divertida de ontem. gosto de ter borboletas fazendo a festa na minha barriga, como tenho bem agora.
Sábado, Dezembro 10, 2005
A garota de botas vermelhas e malas com fitinhas amarradas chegou na cidade de mil cores e ficou boba com tanta mágica e beleza que via enquanto passeava. Ali, na primeira esquina, havia um senhor de bigodes brancos que tocava músicas de sonho num acordeon. Andando quadras adiante, viu árvores com galhos secos apontados pro alto, como se dessem adeus às folhas que se desgrudavam e voavam em direção ao infinito. Viu uma doceria feito aquelas de filme, onde rosquinhas de chocolate cheiravam incrivelmente bem e bolinhos estalavam dentro de fornos, fazendo um barulho divertido. Viu um cachorro sem dono, que também olhava os doces com olhos brilhantes. Viu fonte com sereias cuspindo água, patinador andando de costas e caixinhas de música tocando Edith, Nina e Frank. Estava de olho num casal que trocava beijos, quando caiu num bueiro da calçada onde andava. Infelizmente teve que ficar lá por alguns dias, teve até que tirar o guarda-chuva da mala e trocar de casaco. A cidade era tão bonita que os olhos de todos estavam ocupados demais pra olhar pra baixo.
Domingo, Novembro 27, 2005
Próxima estación: Felicidad
Ainda não tenho onde morar, mas amanhã minha nova casa é um albergue chamado POP. Lá é tudo colorido e a sensação de ter o meu 'Albergue Espanhol' é única, como tudo por aqui. Única como passear num dia frio e de cor cinza e descobrir cataventos a girar em varandas bonitas. Como sair do metrô e me deparar com um poema de Neruda escrito na parede, ou ainda andar por ruas com trechos de Don Quixote escritos no chão. Porque aqui nada é igual e cada amanhecer me traz mais e mais segredos que guardo numa caixinha, no fundo da memória. Os penteados das espanholas, a moça inglesa que vive num barco, os 'pintinhos' no semáforo, a chocolateria, os infinitos livros numa esquina... E então saio para descobrir todos os detalhes, desvendar todos os mistérios, correr atrás do sol, porque o frio é intenso. E visto roupas bonitas, e já tenho as minhas lojas preferidas, e tenho um marido que me traz rosquinhas de chocolate pra comer na sobremesa. Me acostumo com tanto cigarro, tenho vontade de voar porque encontrei Natalie Portman na calçada e de chorar, porque Guernica está na minha frente e nunca vi tantos Picasso's e Miró's e Dalì's de tão perto. E sim, sinto muitas saudades, e fico arrepiada porque o moço está cantando música brasileira na estação. MAS quero viver o possível e o impossível por aqui. Quero mais é chorar de rir, como fiz outra noite. Quero enrolar a língua para hablar español e continuar a conhecer pessoas por minuto. Quero o mundo numa garrafa de Coca-Cola, mundo onde as noites são a parte mais quente do dia, onde me perco e me acho, onde não me importo se tudo acabar, porque Timbalada toca na boate e eu fico cada vez mais certa de que sou a pessoa mais feliz do mundo.
Sexta-feira, Novembro 18, 2005
Na floresta, o sapo pulava tranqüilamente quando uma lagarta atravessou o seu caminho.
- Bom dia, Dona Lagarta! A senhora poderia me dizer que horas são?
- Oh. Infelizmente não tenho relógio... Mas lhe garanto: é hora de mudar.
Hora de mudar, sim. Sair do casulo e trocar de continente, de país, de idioma. Hora de ter frio-gelado na barriga, de colocar trevo da sorte na bolsa e de sentir além da conta. Receber pedacinhos de amor a cada amanhecer, cada virada de esquina, cada piscar de olhos. Tirar a coragem do fundo do armário, guardar as lágrimas no canto dos olhos e sorrir pro mundo, com todo coração. Hora de atravessar a imensidão do Atlântico; ver nuvens branquinhas lá do alto, como se tivessem sido lavadas à mão; jantar e ver filme no avião. Hora de despedida. De pegar a mala pesada - transbordando de saudades, relaxar os pés cansados de esperar e abrir as asas. Porque, acima de tudo, é hora de voar.
Sexta-feira, Novembro 11, 2005
<) 50 first dates soundtrack